
A nova família: os meus, os seus, os nossos
Gustavo tem 15 anos e uma grande família: duas irmãs por parte da mãe e um irmão por parte do pai. Os três filhos do casamento anterior do atual marido da mãe de Gustavo, por sua vez, passam com eles férias e finais de semana, quando se junta à turma também a filha da namorada de seu pai. Toda essa gente convive num novo núcleo familiar – a família híbrida – que a cada dia mais se faz presente nos seio da sociedade contemporânea. As famílias estão cada vez mais diversificadas. Lidar com diferentes culturas em um mesmo núcleo familiar é um desafio constante. Definitivamente se você já viveu pelo menos duas décadas sabe que a família de hoje não é a mesma que seus pais e avós conheceram. E quem acredita que isso é motivo de desestrutura pode estar enganado. Independentemente das famílias serem diferentes do que conhecemos como tradicionais, o objetivo desse núcleo não muda: a família é um espaço onde podemos experimentar todas as sensações, do amor ao ódio, da segurança ao conflito. Pais e mães de famílias híbridas têm uma enorme vantagem na enorme tarefa de formar os filhos: são pessoas que, em algum momento da vida, encararam a realidade, partiram em busca de algo novo, em busca da felicidade. Especialistas, entretanto, advertem que a sequência de casamentos do pai ou da mãe pode gerar nos filhos certa indiferença ou mesmo menosprezo pela vida conjugal. Mesmo assim a diversidade pode ser algo positivo, desde que a criança saiba qual o lugar dela dentro desse novo núcleo familiar e sinta-se segura para solicitar o que precisa e tenha a sua individualidade respeitada. O momento de introduzir um novo parceiro dentro da relação familiar é um dos pontos mais controversos para quem já passou por situação semelhante. Segundo os especialistas, não existe um momento certo para apresentar o novo parceiro. O importante é criar esse momento. Os conflitos são inevitáveis, portanto é importante que o pai e a mãe jamais percam os momentos a sós com os filhos. Outro aspecto importante é o papel do governo nas novas configurações familiares e, obviamente, o bom senso entre os integrantes familiares. Uma coisa é certa: quando existe amor entre os pais para com os seis filhos e entre o novo casal, as crianças estarão incluídas. Quando começam a existir problemas com as crianças, muitas vezes, são sintomas de algo vai mal entre o casal.

Síndrome da Alienação Parental
É o termo para expressar a situação em que a mãe ou o pai de uma criança a treina para romper os laços afetivos com o outro genitor, criando fortes sentimentos de ansiedade e medo em relação ao outro genitor. Os casos mais frequentes da Síndrome da Alienação Parental estão associados a situações onde a ruptura do relacionamento dos pais gera em um dos genitores, uma tendência vingativa muito intensa. Quando este não consegue elaborar adequadamente o luto pela separação, desencadeia um processo de destruição, vingança, desmoralização e descrédito do ex-cônjuge. Neste processo vingativo, o filho é usado como instrumento de agressividade direcionada ao perceiro. Podemos resumir a Síndrome da Alienação Parental assim: programar uma criança para que odeie o genitor sem justificativa. O genitor alienador é geralmente uma pessoa superprotetora. Pode ficar cego por sua raiva ou pode animar-se por um espírito de vingança provocado pela inveja ou pela raiva. Vê-se como vítima, injustamente e cruelmente tratado pelo outro genitor, do qual procura se vingar fazendo crer aos filhos que o outro genitor tem todos os defeitos. O genitor alienador é geralmente apoiado pela família e amigos, o que reforça seu sentimento de estar com a verdade. A criança é levada a odiar e rejeitar um genitor que a ama e do qual necessita. Dessa forma, com o tempo o vínculo entre a criança e o genitor alienado será irremediavelmente destruído e torna-se difícil a reparação desse vínculo se houver um distanciamento maior com o tempo. A criança é sempre, repito sempre a maior vítima da Síndrome da Alienação Parental. Óbvio que o genitor alienado também sofre, mas a criança possui pouca estrutura psicológica para elaborar a situação. O genitor alienado torna-se um estranho para o próprio filho. Induzir uma criança a Síndrome da Alienação Parental é uma forma de abuso infantil e enquadra-se no Estatuto da Criança e Adolescente. Trata-se de uma forma de abuso emocional que irá rapidamente repercutir em consequencias psicológicas e pode provocar distúrbios mentais para o resto da vida. Os efeitos nas crianças vítimas da Síndrome da Alienação Parental podem ser uma depressão crônica, dificuldades para adaptação em ambiente psicossocial normal, transtorno de identidade e de imagem, desespero, sentimento de culpa, isolamento, comportamento hostil, falta de organização, dupla personalidade e às vezes suicídio. Estudo na área da psicologia tem demonstrado que, quando adultas, a vítima da Alienação tem inclinação ao álcool e drogas. O sentimento de culpa se deve ao fato de que a criança, quando adulta, constata que foi cúmplice inconsciente de uma grande injustiça ao progenitor alienado. O filho alienado tende a reproduzir a mesma psicopatologia que o genitor alienador. Identificar a Síndrome da Alienação Parental não é uma tarefa difícil. É uma idéia fácil de compreender. A tarefa de intervir deve ser sempre confiada a um profissional da saúde mental que conheça ou que tenha estudado este tipo de enfermidade e que deverá intervir o mais rapidamente possível para impedir os danos psicológicos a criança. Alguns comportamentos clássicos de um progenitor alienador são descritos a seguir. Recusar a repassar as chamadas telefônicas aos filhos; organizar várias atividades com os filhos durante o período que o outro genitor deve normalmente visitar; apresentar o novo cônjuge aos filhos como sua nova mãe ou seu novo pai; interceptar as cartas, bilhetes e pacotes enviados aos filhos; desvalorizar e insultar o outro genitor na frente dos filhos; recusar informações ao outro genitor sobre as atividades escolares e sociais dos filhos; desvalorizar moralmente o outro cônjuge do genitor; incluir outras pessoas próximas na lavagem cerebral dos filhos; impedir os horários de visitas e atividades do genitor com os filhos inventando desculpas e mentiras; tomar decisões importantes sobre os filhos sem consultar o outro genitor (escolha de religião, escola, etc.); “esquecer” de avisar o outro genitor dos horários e compromissos dos filhos (dentista, médico, escola, etc.); impedir que o outro genitor tenha acesso a informações dos filhos (escola, prontuários médicos, etc.); ameaçar punir os filhos se atenderem aos telefonemas ou saírem com o outro genitor; culpar ou outro genitor pelo mau comportamento dos filhos. Enfim, existem outras razões que também devemos ficar atentos.

Obesidade mórbida, cirurgia bariátrica e psicologia
Parece uma coisa agressiva e absurda, mas quando ouvimos pessoas obesas e nos colocamos em seu lugar, podemos entender que a cirurgia é tão ou menos radical e violenta do que a própria obesidade. É claro que existe um ganho estético e uma conquista da beleza, mas o objetivo é a manutenção da saúde e da vida. Estaríamos dando às pessoas “sem limites” um basta que ela sozinha não consiga dar. Isso não quer dizer que o obeso não tenha força de vontade. Muito pelo contrário, pois a maioria já fez muitas dietas e já chegou a perder 30 kg, mas manter essa perda somente seria possível se ela isolasse do estilo de vida competitivo e acelerado que todos nós levamos. Outro ponto positivo que avalio da cirurgia bariátrica é libertar a pessoa do uso constante de remédios para emagrecer, pois essas drogas provocam comprometimento no funcionamento normal do cérebro. Todos eles agem de forma a excitar o sistema nervoso e com isso alteram o comportamento emocional dos seus usuários. Aqueles que já têm tendência a desenvolver ansiedade e depressão é um prato cheio para as consequências ruins do uso desses medicamentos. Já tive contato com pessoas que necessitaram de internamento psiquiátrico por causa desses remédios e outras que até hoje sofrem de depressão ou de uma agitação e irritabilidade constantes além de terem agravado seu quadro de comportamento compulsivo de comer. Todos sabem que a cada dieta a pessoa tende a engordar tudo e mais um pouco, principalmente depois do uso desses remédios que inibem o apetite. Dessa forma encaro a obesidade mórbida como uma versão patológica da obesidade e considero um grave problema para de saúde para as pessoas que dela sofrem. O seu tratamento deve ser baseado numa abordagem biopsicossocial da pessoa e do seu processo de doença que assegure o sucesso do tratamento, a curto e longo prazo. A abordagem psicológica estrutura-se ao longo das três principais fases do processo de tratamento: pré-cirurgia, internamento e pós-cirurgia. Na fase pré-operatória o psicólogo escuta e observa como o paciente se sente em relação a sua obesidade, busca conscientizá-lo o quanto a sua participação e fundamental para obter um bom resultado da cirurgia, esclarece dúvidas, orienta sobre o processo pré e pós-operatório e avalia se o mesmo está apto à cirurgia. Na verdade, o que se trabalha é muito particular em cada pessoa. Tudo vai depender da história dessa pessoa, de sua relação com a comida e onde ela a encaixa na sua vida. De maneira mais geral encontramos sempre uma necessidade de se sentir cheio; sem nada faltando; completo; mas a emoção que acompanha o ato de comer e o depois que se come, e mesmo a sensação de perda de controle tem significados muito particulares. É difícil falar do trabalho em psicoterapia quando a enxergamos como um processo muito individual, particular e até inexplicável. A psicoterapia pode indicar um caminho diferente de autoconhecimento que permite que a pessoa não busque mais no ato de comer a resolução de sua vida, ou o tenha como fonte única de prazer. Vejo como contra-indicação à cirurgia bariátrica pessoa que tem o comportamento compulsivo para comer. Essa pessoa come como não só por prazer, o que, aliás, é muito raro acontecer. De modo geral sente angústia, culpa e sensação de falta de controle, desespero, raiva de si mesma e não consegue parar de comer até que comece a passar mal. Nem se quer seleciona o que vai comer ou beber e chega a se alimentar de alimentos frios, resto de comida dos outros e em geral come sozinha, escondida e infeliz. Às vezes essa crise de comilança dura duas ou três horas e depois disso sente raiva e nojo de si mesmo. Trata-se de um perigo para o pós-cirúrgico e precisa ser tratada antes que se submeta a cirurgia. A cirurgia bariátrica provoca o emagrecimento e impossibilita o hábito do paciente de aliviar suas tensões internas pela ingestão volumosa de comida. O emagrecimento acentuado provoca transformações e requer adaptações nos relacionamentos familiares, afetivos, sexuais, sociais e profissionais. Entretanto, as dificuldades de lidar com as emoções não são modificadas pela cirurgia, e se não forem tratadas adequadamente a tendência é que outras “ saídas” sejam encontradas pelos pacientes, o que poderá impedir o sucesso do tratamento. O contato com o psicólogo se faz importante para a orientação, informação e o apoio ao paciente que vai se submeter à cirurgia. O paciente naturalmente está cheio de expectativas e muito ansioso, certo de ter encontrado a “solução mágica” para seu angustiante problema de obesidade, algo que vem procurando há tanto tempo. A cirurgia é comprovadamente o melhor tratamento para a obesidade mórbida, maso resultado dependerá da colaboração ativa do paciente no pós-operatório. A cirurgia reduz drasticamente o peso corporal, o que provoca mudanças importantes na maneira do paciente agir. Ele terá que se reorganizar, se reestruturaOs obesos mórbidos têm alta incidência de conflitos psicológicos, e necessitam de avaliação e tratamento por profissional capacitado. Isso é fundamental no pré-operatório, e muitas vezes também acompanhamento no pós-operatório.A psicologia pode auxiliar o paciente a conhecer e a compreender melhor a si mesmo, a aderir de forma mais eficiente às recomendações médicas, envolvendo-se e tornando-se responsável pela criação de uma nova identidade, e pela participação efetiva no processo de emagrecimento. A cirurgia não é um processo passivo. Ela provoca uma série de transformações que afetam a relação do indivíduo consigo próprio e com os outros. Tudo dependerá do modo como o obeso se relaciona com a comida, o lugar que a comida ocupa na sua vida: prazer, gratificação, agressividade autodirigida. Quando essa relação é bloqueada pela cirurgia, o paciente busca alternativas. O corpo, que até então era ignorado, ou mesmo rejeitado, passa a estar em evidência e se torna alvo de elogios e comentários. Por outro lado, algumas dificuldades emocionais que estavam encobertas pela “capa de gordura” tendem a surgir e os conflitos básicos emergem. Novas atividades sociais requerem uma nova aprendizagem. Muitas das responsabilidades de que eram poupados por falta de condições físicas e pelas limitações que a obesidade impunha, colocam os pacientes diante de situações nunca vividas. Na realidade, a obesidade era um manto protetor! Deixar de ver a vida “passar pela janela” passivamente, para tornar-se agora participante ativo, pode ser angustiante e provocar ansiedades. O papel da psicologia em relação à obesidade é, em alguns aspectos, muito mais artístico do que científico, porque auxilia a transformar opiniões, o que é uma forma de arte, de criação. A psicologia permitirá o paciente a ter uma nova visão do mundo, para que ele possa ousar um novo caminho.

Timidez ou medo?
A primeira informação a ser dada sobre este assunto é que timidez não é medo. Timidez não é transtorno mental. Timidez não é fobia. A timidez é conhecida pela psicologia como uma inibição em certas situações, podendo ou não ser acompanhada de algumas reações fisiológicas, como aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos. Em outras palavras o tímido é uma pessoa que não exprime (ou exprime pouco) os pensamento e os sentimentos e não interage ativamente. Geralmente a pessoa tímida reconhece o que se passa por dentro da sua cabeça e percebe as suas dificuldades em interagir com as pessoas ou em situações sociais. A pessoa tímida tem anseio de mudar e tornar-se livre, mas sabe que existem barreiras que impedem a livre expressão dos pensamentos, sentimentos e emoções. A dificuldade é maior ou menor, restrita a certas situações ou extensiva a muitas. A dificuldade não gera grande sofrimento e tampouco compromete de forma significativa a realização pessoal. Dessa forma a pessoa tímida exprime intensamente em fantasias os seus sentimentos e emoções. Uma vez que os sentimentos não são expressos integralmente na vida real, tal represamento faz com que as fantasias se tornem muito intensas e frequentes. Nas fantasias as barreiras não existem. Conflitos internos entre os anseios e barreiras geram sensação de ameaça, de perigo, chamada de ansiedade. A timidez não compromete a vida da pessoa, mas empobrece a qualidade de vida significativamente. O diagnóstico da timidez é feita pelo psicólogo através da observação do comportamento e de alguns sinais emitidos pela pessoa, como por exemplo a criança que esconde o rosto quando se acha na frente de estranhos ,e pelas informações que ela presta, por exemplo o relato de que “treme por dentro” toda vez que vai falar em público ou em uma reunião. A timidez apresenta algumas características que ocorrem de forma sistemática: acontece quando há contato com outra(s) pessoa(s), está falando (comendo, escrevendo, cantando, interagindo) em público. Nesse momento surge uma sentimento de apreensão que compromete toda a espontaneidade. O medo intenso já é bem diferente da timidez. Trata-se de um transtorno mental chamado fobia. No caso aqui trata-se de fobia social. Na fobia social a ansiedade gerada é intensa, podendo ser experimentada de várias maneiras, como por exemplo, uma intensa inquietação interna, um estado de pânico, ou sob a forma de alguma manifestação fisiológica (suor frio e intenso nas mãos, taquicardia, falta de ar, tonturas, entre muitas outras). Essa ansiedade não se estende a todas as funções que uma pessoa possa desempenhar. Na maioria das vezes concentra-se sob tarefas e situações definidas. Passamos considerar a timidez como patológica a partir do momento em que a pessoa sofre prejuízos pessoas por causa dela, como deixar de concluir um curso ou uma faculdade por causa de um exame final que exige uma apresentação pública ou diante de um avaliador. O fóbico social sente-se extremamente incomodado é observado. A intensidade da reação dessa pessoa é desproporcional ao nervosismo que esta situação exigiria das pessoas em geral. No momento em que a pessoa é exposta a situação fóbica, a crise de ansiedade é tão intensa que parece uma crise de pânico. Por causa de tanto desconforto envolvido nessa situação a pessoa passa a apresentar um comportamento de evitação para estas situações. Os limites para a timidez e a fobia social são muito tênues para quem não é especialista na área. Mesmo para o próprio paciente é difícil perceber e acreditar que sofre de um transtorno psicológico.

Limites: os pais mais bobos e inseguros da história
Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história. O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas", ousadas, agressivas e poderosas do que nunca. Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro. Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos...
Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais e os primeiros que aceitamos (às vezes sem escolha...) que nossos filhos nos faltem com o respeito. Na medida que o permissível substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam a suas ordens e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais. Mas, à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem. E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim. Quer dizer; os papéis se inverteram, e agora são os pais quem tem que agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "dar tudo" a seus filhos. Dizem que os extremos se atraem.
Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles. Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão. Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca. Apenas uma atitude firme, respeitosa, lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, carregando-os, e rendidos à sua vontade. É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino. Os limites abrigam o indivíduo. Com amor ilimitado e profundo respeito.
Monica Monasterio (Madrid, Espanha), publicado no Portal da Família em 28/01/2008

Ciberdependência: quem é viciado na internet?
No lugar de falar, você tecla. Nas poucas e raras horas de sono você sonha com computador. A parte mais emocionante do seu dia é ligar o computador, checar os e-mails, abrir o MSN e ver piscando a luzinha dos seus contatos e ir até a sua página do Orkut para ver quantos scraps você recebeu. Seus amigos são virtuais e com a família você já quase não conversa. As raras vezes que você sai de casa com os amigos e parentes parecem chatas e monótonas e você não vê a hora de chegar em casa e ligar o computador para entrar numa sala de bate-papo? Se você se consegue enxergar nessa rotina, cuidado. Você pode estar viciado na internet. O uso compulsivo da internet foi reconhecido pela Associação Americana de Psicólogos e ganhou o nome de Disfunção do Vício de Internet – DVI – ou Ciberdependência, como está sendo popularmente conhecida. Segundo pesquisadores e estudiosos da área, os sintomas principais da DVI incluem a substituição de atividades sociais pelo uso de internet, fantasias ou sonhos sobre a rede e até mesmo reações físicas, como movimentos involuntários dos dedos, simulando digitação. Nos EUA estudos indicam que 6% de norte-americanos são dependentes da rede. E no Brasil, os viciados começam a pipocar assustadoramente, revelam estudos ainda não oficiais. A internet deixou de ser um veículo de pesquisa, trabalho e hobby para virar vício. É preciso observar o tipo de mudanças que o uso da internet está causando nos usuários. Se as relações de trabalho, familiares ou sociais começam a se deteriorar por causa do uso abusivo da internet, a pessoa pode se encaixar no perfil de um usuário patológico. Não é somente o fato de a pessoa usar a internet para jogar, bater-papo, baixar filmes e músicas, ver sites pornográficos e outras atividades que é especificamente viciada na internet. As verdadeiramente viciadas na internet têm outro perfil. São pessoas que buscam na internet mudanças de seus comportamentos. A maioria usa programas de bate-papo, por exemplo, para representar papeis de personalidades que gostariam de ter. Eles encontram na internet um meio de esquecer de problemas pessoais e fugir da vida real. A falta de interação física na internet exerce importante influência na identidade das pessoas que se comunicam no ciberespaço. A comunicação virtual oferece inúmeras oportunidades de a pessoa ser; pode ser ela mesma, parte dela, parte de outra pessoa, outra pessoa, e assim por diante. Enfim, a pessoa pode se apresentar fielmente como ela verdadeiramente é ou fantasiar a si mesma, como melhor lhe agradar. De certa forma, o anonimato da internet tem um efeito desinibidor que oferece muitas opções para as pessoas expressarem suas emoções e necessidades. É como se a pessoa pudesse se apresentar com diversos trajes virtuais, com as mais variadas e interessantes identidades. Na internet os complexos são vencidos, os conflitos são superados e as frustrações encontram cúmplices e solidariedade. Além do anonimato a internet pode oferecer um nivelamento social, ou seja, a tão desejada igualdade social entre as pessoas que na vida real poderiam se apresentar como superiores e oferecer “barreiras” de relacionamento.

Síndrome de Don Juan
Don Juan é um personagem literário cuja história das suas conquistas e seduções foram contadas por autores diferentes. O nome é usado às vezes para expressar alguém muito sedutor, mulherengo e conquistador, deixando por onde passa o coração partido das mulheres. Evidentemente o mito de Don Juan pode apresentar um ideal masculino e, em alguns segmentos culturais, também um ideal feminino. Clinicamente já podemos observar entre as mulheres o dom-juanismo, embora num campo se atuação mais restrito. Segundo a Psicologia Clínica, a Síndrome de Don Juan, ou dom-juanismo, é um padrão patológico de personalidade caracterizado principalmente por uma pessoa narcisista, enamorada, inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer à pena para a conquista da uma pessoa. A característica marcante do dom-juanismo é uma incontrolável compulsão para sedução. Necessita seduzir o tempo todo, aparentemente se enamora e encanta pela pessoa difícil, mas, uma vez conquistada, a abandona. A pessoa com esse traço não consegue ficar apegada a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. Para conquistar é válido toda e forma e meio, entretanto os sentimentos da outra pessoa não são levados em conta. Esse comportamento quebra com as duas grandes regras da civilização ocidental: união e fidelidade. Para a psicologia o desprezo para com os sentimentos alheio é a principal característica psicopatológica. Para o Don Juan só interessa o instante do prazer e o triunfo sobre a conquista, principalmente quando a presa de seu interesse tem uma situação proibida. Na verdade amam muito mais a si do que a qualquer outra pessoa conquistada. Psicanaliticamente falando, trata-se de uma fixação na figura materna, um Édipo exagerado, uma vez que a maioria deles não constitui vínculos com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre com as suas mães.

Amor: prazer ou dor?
O amor é entendido como um sentimento que não cabe dentro de uma definição ou conceito. Talvez a única certeza que temos sobre o amor é que sobre ele não temos nenhum controle. Costumo dizer que existem dois tipos de amor: “o amor verdadeiro”, aquele que liberta o indivíduo do sofrimento e conduz ao crescimento e segurança, em distinção do “amor possessivo”, o qual persegue o outro como um objeto a devorar, possuir e sufocar. O amor verdadeiro é aceitável e desejável, portanto saudável, uma vez que se manifesta com preocupação verdadeira e desinteressada pelo bem-estar do outro, da pessoa amada. Em contra partida, o amor possessivo é egoísta e impossível de se controlar, voltado aos interesses próprios, manifestando comportamentos doentios e desprezos pelo outro. Em minha opinião o amor possessivo tende a satisfazer muito mais quem “ama” do que quem é “amado”. Quem sofre ou faz sofrer, contudo, não é o amor em si, mas a pessoa que enfoca no sentimento amoroso uma grave alteração psíquica, seja em sua personalidade, seja advinda de seus conflitos e complexos interiores. Não são raras as pessoas que, contrariando o bom senso e a crítica razoável, deixam tudo para viver um grande amor, aumentando perigosamente a possibilidade de serem infelizes, ainda que amasse. O perigo é acreditar que a pessoa que amamos é a solução para todas as nossas necessidades, ou para todas as necessidades de nossos sentimentos. Falando das relações íntimas, segundo trabalhos publicados recentemente as relações amorosas entre pessoas com transtornos depressivos são mais tensas, estressantes e cheias de conflitos do que entre pessoas não depressivas. A convivência com pessoas negativistas, mal humoradas e fechadas inegavelmente compromete um relacionamento amoroso. A alteração da libido, ou desejo sexual que acompanha geralmente a depressão também é um dos fatores.

Tristeza e frustração podem ajudar o amadurecimento
A qualidade da vida emocional depende da satisfação com que se vive. Preferencialmente, a qualidade de vida depende da felicidade, e esta, depende de nosso destino coincidir com nossa vontade, ou seja, estamos felizes se esta acontecendo agora aquilo que eu queria que estivesse mesmo acontecendo. O ser humano tem uma natural aptidão para o desejo, para a expectativa, para a pretensão, e sabemos que nos frustramos na proporção em que o pretendido não se realiza. Falar em frustração não significa falar de algo doentio, mórbido. A frustração é uma ocorrência universal e comum a todas as pessoas conscientes das condições de sua existência, significa algo necessário ao amadurecimento e, conseqüentemente, ao desenvolvimento do sujeito, de sua relação com o mundo objectual (sua realidade), com os outros e consigo próprio. A tendência do ser humano é fugir da dor e se aproximar do prazer, ou seja, a pretensão é aliviar as tristezas e perdas suprimindo e fugindo da dor. Nossos ancestrais aliviavam o sofrimento buscando ajuda externa nos feiticeiros, curandeiros, padres ou coisa assim. O ser humano atual busca ajuda em “algo mágico” que a ciência e a tecnologia podem nos oferecer, tais como programas, técnicas, remédios, alguma coisa milenar, práticas exóticas e alternativas, enfim, mil recursos para amenizar o sofrimento. Com tantos “recursos mágicos” o ser humano perde a oportunidade de desenvolver a necessária capacidade de superar as dificuldades e fica “dependente” dos recursos externos. Vivenciar perdas, experimentar a melancolia e a tristeza diante das frustrações são processos importantes e necessários para o amadurecimento psíquico e aprimoramento das relações sociais. As pessoas com o perfil afetivo mais depressivo são aquelas que, geralmente, têm baixa tolerância a frustração, são rígidas e inflexíveis em seus valores, estabelecem metas difíceis para si mesmas. São intransigentes com elas mesmas e em seus julgamentos, experimentam culpa e se impõem sofrimentos. Todo esse raciocínio nos faz deduzir que quando a pessoa não consegue suportar as pressões internas, como conflitos, por exemplo, ou externas, como as exigências vivenciais, a tristeza e a frustração pode evoluir para um quadro depressivo. Mesmo as pessoas afetivamente aptas e estruturadas podem, dependendo dos níveis de exigências internas e externas, demonstrarem sofrimento pela frustração e tristeza e não conseguirem suportar, adoecendo inclusive.

Fibromialgia
A fibromialgia é o nome dado a um conjunto de dores generalizadas pelo corpo, criando pontos sensíveis e doloridos principalmente nos tendões e nas articulações. Alguns dos meus pacientes se referem como “a dor que viaja pelo corpo”. Engloba uma série de manifestações clínicas: dor, fadiga, cefaléias, indisposição e distúrbios do sono entre outras. Não provoca inflamações nem deformidades físicas, mas pode estar associada a outras doenças reumatológicas e psicológicas. No passado, pessoas que apresentavam dores generalizadas e uma série de queixas mal definidas não eram levadas muito a sério. Atualmente sabe-se que a fibromialgia é uma patologia do sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor que atinge, em 90% dos casos, mulheres entre 35 e 50 anos. A causa específica da fibromialgia ainda é desconhecida pela ciência médica. Sabe-se, porém que os níveis de serotonina (responsáveis pela regulação do sono, do apetite, do humor, da atividade motora e das funções cognitivas) são mais baixos nos portadores da doença e que desequilíbrios hormonais, tensão e estresse podem estar envolvidos no surgimento da fibromialgia. O tratamento exige cuidados multidisciplinares, no entanto, tem-se mostrado eficientes para o controle da doença o uso de analgésicos e antiinflamatórios associados, antidepressivos tricíclicos, atividade física regular, acompanhamento psicológico, massagens e acupuntura.
Depressão
Ao contrário do que se pensa a depressão não é simplesmente um sentimento de tristeza, muitas vezes expresso por “fossa” ou “baixo astral”. A depressão é uma doença que envolve todo o seu corpo, seu humor e toda a sua atividade mental. Ela afeta o apetite, sono, pensamento e a forma como você se sente a seu próprio respeito. A depressão não é sinal de fraqueza de caráter ou uma condição que pode ser superada simplesmente pela sua “força de vontade” ou com “pensamento positivo”. Sem tratamento a depressão pode durar semanas, meses e até anos. A depressão ocorre quando a raiva fica recolhida e voltada para o interior de nós mesmos. Ela torna-se rancor e começa a roubar da vida o seu significado, deixando a pessoa sem energia. As pessoas deprimidas estão sempre lutando para conter a raiva e rancor. Em muitos casos quando a depressão se instala você passa a sentir-se triste, mesmo quando tudo a sua volta está exatamente igual ao que era antes. Você sente o domínio de uma profunda sensação de angústia, melancolia, tristeza, abandono e fragilidade que se prolonga por um tempo maior que deveria, chegando a interferir no seu desempenho profissional, social e efetivo. O transtorno é inevitável: desiinteresse pelas coisas do dia a dia impedindo que você viva com prazer a sua vida normal. A depressão é uma doença séria e incapacitante que pode atingir homens e mulheres, crianças;, adolescente ou adulto. Os principais sintomas da depressão são: falta de interesse, insônia ou hipersonia, perda ou ganho de peso, fadiga, sentimento de culpa, baixa concentração, desânimo, tristeza, lentidão e negativismo. Para compreender uma determinada depressão é preciso saber quais os sentimentos que realmente estão em jogo. Na verdade, dirigir a energia para fora é o primeiro passo para romper o ciclo.

Psicólogo, psiquiatra ou psicoterapeuta, qual a diferença?
São muitas as dúvidas existentes em relação aos profissionais que trabalham em saúde mental. A mais comum prende-se com a diferença entre psiquiatras e psicólogos. Mas quais as diferenças entre eles? A principal diferença entre psicólogos e psiquiatras é a sua formação. Enquanto os psiquiatras têm uma licenciatura em medicina, os psicólogos são licenciados em psicologia, ou seja, a visão que um psiquiatra tem dos problemas do foro mental é essencialmente médico. Os sintomas das doenças ou disfunções são vistos como resultado de um desequilíbrio de um conjunto de substâncias que atuam no cérebro - os neurotransmissores (como a serotonina). Esta é uma visão essencialmente biológica da doença. Assim, a medicação dos sintomas das doenças constitui a principal intervenção em psiquiatria, que tenta promover o reequilíbrio dos neurotransmissores. Os medicamentos para a depressão ou a ansiedade são alguns exemplos. Em resumo, um psiquiatra é um médico que tem uma especialidade em psiquiatria. Por seu lado, os psicólogos não são médicos. A abordagem psicológica é, sobretudo, psicossocial e desenvolvimentista. Esta visão defende que um problema psicológico resulta da combinação de fatores da história pessoal de desenvolvimento do indivíduo desde a infância, e da sua forma de pensar, sentir e agir em face de si próprio, aos outros e as situações. A psicologia tem em consideração a influência do sistema familiar e relacional, do contexto em que o problema surge e se mantém. Os fatores genéticos e neurológicos não são esquecidos, apenas não é da competência da psicologia a intervenção psicofarmacológica. Um psicólogo é um especialista que o ajuda a conhecer-se a si próprio, a compreender as origens do seu problema, a fazer uma "viagem" de crescimento pessoal, ajuda-o também a aprender novas competências, equacionar novas formas de resolver conflitos e problemas, reduzir o sofrimento psicológico e melhorar a qualidade de vida. Ao escutar seu cliente, o psicoterapeuta oferece a ele a possibilidade de recriar a realidade, empreendendo junto com ele a trajetória rumo à cura. Não é "solucionar um problema", mas sim "pro-curar" junto com o outro. Estamos sempre aprendendo com o cliente. As intervenções psicológicas e psiquiátricas, apesar de distintas, não são incompatíveis. Por exemplo, uma pessoa pode ter sessões semanais com um psicólogo e ser acompanhada em consulta de psiquiatria de dois em dois meses. Há também alguma confusão em relação à psicoterapia. Os psicoterapeutas são, na sua maioria, psicólogos clínicos (podendo também ser psiquiatras) que fizeram uma formação em psicoterapia. Formação esta que é feita após a licenciatura em psicologia ou medicina. São, portanto, profissionais mais especializados.

Síndrome do Pânico
A Síndrome do Pânico está relacionada com a Ansiedade. Ao sentir-se ansioso, você está percebendo uma ameaça, mesmo que você não tenha consciência dela. Não ignore a ansiedade, pois ela significa que alguma coisa que você considera importante está sendo ameaçada. O estar ansioso e o estar temeroso tendem a trazer de volta sentimentos da nossa infância relacionados a desamparo, desproteção, separação e perdas. Cada um de nós se sente vulnerável de uma maneira diferente. Algumas pessoas de tal forma ficam sensibilizadas por sua experiência particular de vida . Assim, por exemplo uma pessoa dependente poderá ser extremamente vulnerável e sensível à perda do amor, quer porque quando criança pode ter experimentado semelhante perda, quer porque tenha vivido com a ameaça da separação ou uma rejeição. Outro tipo de perda que produz ansiedade é a perda de controle. Seja poder, o dinheiro, a posição ou influência. São geralmente pessoas controladoras. A maioria das pessoas se vê às voltas com um pouco de ansiedade todos os dias, mas quando perdemos o controle da ansiedade e percebemos que nem sempre são por razões claras, ou quando uma situação que deveria fazer-nos feliz e só faz nos sentirmos ameaçados, pare e pense. Os principais sintomas são: sensação de catástrofe iminente prestes a tragá-lo, taquicardia – coração acelerado, dores no peito, falta de ar, vertigem, tremores das mãos e/ou pernas, tensão, formigamento, suor frio, ondas de calor ou calafrios, medo de morrer e desespero intenso.

Vivendo no mundo da lua
Você foi uma criança bagunceira, pimentinha, hiperativa, impulsiva, distraída ou sonhadora que vivia sempre no mundo da lua? Você se distrai com facilidade, comete às vezes erros no trabalho ou nas atividades que exigem concentração, é desorganizado (a), avoado (a), esquece compromissos assumidos, perde seus objetos pessoais, não presta atenção adequadamente quando lhe dirigem a palavra, perde-se em devaneios e o pensamento voa longe? É agitado e inquieto, não consegue ficar muito tempo parado (a), se está sentado (a) fica mexendo os dedos ou as pernas e não consegue ficar assistindo a TV sem se levantar constantemente? Seu temperamento é explosivo, discute facilmente muitas vezes por motivos fúteis, é impaciente e desorganizado ou responde antes de ouvir a pergunta toda? Talvez você sofra de TDA – Transtorno de Déficit de Atenção. Apesar de o TDA acometer entre 3 e 5% das crianças, sendo considerada uma das patologias neuropsicológicas mais freqüentes nesse grupo etário, sabe-se que a prevalência em adultos também é significativa. Alguns estudos apontam que o transtorno persiste em aproximadamente 50 a 70% dos casos na fase adulta, embora os sintomas sofram algumas mudanças ao longo do tempo. Acreditava-se que os sintomas fossem melhorando conforme a criança fosse crescendo, entretanto sabemos que não é bem assim. O adolescente com TDA tem dificuldade de ficar concentrado nas aulas, em leituras, principalmente se não tiver interesse pelos temas da aula. Geralmente apresenta uma grande dificuldade em terminar tarefas, iniciando por vezes várias atividades sem terminar nenhuma. A tendência é fazer várias coisas ao mesmo tempo. São impacientes e inquietos, em constante busca de novas e fortes emoções, como esportes radicais e outros desafios. A ousadia também pode estar presente na forma de dirigirem automóveis e motocicletas, expondo-se ao perigo de forma impulsiva e envolvendo-se em acidentes. Além disso, podem fazer uso abusivo de álcool e drogas ilícitas. O adulto com TDA caracteriza-se por um comportamento desatento, desconcentrado e facilmente distraído. Normalmente ele é pouco persistente no que faz, tendo dificuldade em completar suas tarefas, a ponto de alguns deles nunca terem conseguido ler um livro até o final. Geralmente desorganizados, por vezes esquecem-se de pagar suas contas em dia, são confusos e caóticos no trabalho, esquecem compromissos e não conseguem estabelecer prioridades. Sua impaciência o leva a tomar decisões precipitadas, arrependendo-se geralmente depois. Estão sempre procurando coisas para fazer e não conseguem ficar quietos. São extrovertidos e falantes, monopolizam as conversas e a atenção dos demais, mas por outro lado costumam ser péssimos ouvintes. São poucos emotivos, têm freqüentes oscilações de humor e se irritam com facilidade. Cometem erros por puro descuido, pois não prestam atenção nos detalhes, principalmente em atividades mais demoradas e prolongadas. O diagnóstico do TDA pede uma atenção mais ampla e multidisciplinar. Inclui avaliação psicológica, neurológica e psiquiatra. O tratamento tem como objetivo a melhora da qualidade de vida do paciente através do controle dos sintomas.

Cefaléia e Enxaqueca
Cefaléia é o nome que se dá para a dor de cabeça e tem sido queixa comum na prática clínica. Estima-se que 3 entre 10 adultos sofrem desse mal. A maioria tem dores insuportáveis, tem mais de um episódio semanal e não tem idéia da causa. O que muito contribui no tratamento da cefaléia é a identificação e eliminação dos diversos fatores que desencadeiam as dores de cabeça, chamados de "gatilhos" e cada pessoa tem um ou vários, como por exemplo ambientes, stress, alimentos, bebidas, irregularidades no funcimamento do organismo, etc. Há vários tipos de cefaléias, sendo a enxaqueca a mais conhecida: dores de cabeça latejantes ou como um peso ou pressão, geralmente apenas de um lado, alternando entre o lado esquerdo e direito da cabeça de uma crise para a outra. Uma crise dura em média entre 2 e 3 dias. É comum as crises serem precedidas por alterações do humor, irritabilidade e depressão, insônia, vontade de comer doces ou perda de apetite. Outros sintomas: visão embaçada, tonturas e sensação de estar vendo pontos brilhantes, náuseas, vômitos, diarréias ,aversão à claridade e falta de memória. O paciente torna-se irritável, preferindo ser deixado sozinho, deitado num quarto escuro e com pouco barulho. Boa parte das crises terminam com um intenso sono. As dores de cabeça às vezes são tão intensas que o paciente não consegue exercer as suas atividades, obrigando-sa ficar deitada.Os principais "gatilhos", ou fatores desencadeadores são: tensão emocional ou stress, menstruação, ingestão de certos alimentos, álcool, dormir a mais ou a menos, excesso de claridade ou barulho intenso, gripes e estados febris em geral, alterações na temperatura do ambiente, leitura ou TV em excesso, jejum prolongado, café, cigarros, remédios, etc. Outro fator importante é a predisposição genética de alguns pacientes que pode deixar mais ou menos sensível às crises.Outra cefaléia também comum é a "cefaleía tensional", desencadeada por contrações musculares provocadas por stress ou ansiedade. A tensão psicológica é o "gatilho". É possível evitar ou amenizar as crises: identificar os "gatilhos" é fundamental para obter maior controle da doença, além disso os pacientes podem evitar o acumulo de trabalho, evitar dormir além do necessário ou dormir pouco, evitar cansaço desnecessário, fazer as refeições em horários regulares e evitar "pular"as refeições, eliminar os alimentos identificados como "gatilhos" das dores de cabeça, reduzir a ingestão de café, chás pretos e álcool,evitar fumar ou fucar perto de fumantes, evitar o uso de analgésicos, não se exercitar em dias muitos quentes. Talvez o principal cuidado seja: viva um dia de cada vez e esteja preparado para esperar, conseguindo sempre um tempo prá você. Diga "não". O tratamento das cefaléias consiste, inicialmente, numa avaliação neurológica e psicológica. O tratamento pode ser "sintomático", usando medicações específicas que aliviam os sintomas, e "preventivo"'que consiste no uso de medicações também associadas com tratamento psicológico, ajudando assim o paciente a identificar as fontes de stress e a trabalhar melhor a sua ansiedade.

Insônia
Dormir é essencial para o restabelecimento físico e mental. A insônia é a dificuldade em cair no sono, levantar freqüentemente durante a noite com dificuldade de voltar a dormir, acordar muito cedo ou sono intranqüilo e agitado. O tempo necessário para um sono reparador varia de uma pessoa para outra. A maioria, porém, precisa dormir de sete a oito horas para acordar bem disposta. Aparentemente, pessoas mais velhas dormem menos. Entretanto, o tempo que passam dormindo pode ser exatamente o mesmo da mocidade, dividido em períodos mais curtos e de sono mais superficial. Existem dois tipos de insônia: transitória e crônica. A transitória é a dificuldade para dormir adequadamente durante algumas noites, pode ocorrer em pessoas normais, sujeitas a esgotamentos por problemas familiares, conflitos conjugais, doenças físicas, estresse no trabalho ou mudanças passageiras na rotina de vida, tais como viagens e mudanças de horários. A insônia estárá resolvida quando a situação estressanto for afastada. A insônia crônica é a que se prolonga por meses ou até anos, podendo indicar um problema psicológico, tal como ansiedade crônica ou depressão, abuso de drogas, dor crônica proveniente de uma doença física, ou anormalidades relacionadas ao sono, tais como apnéia, refluxo gastroesofágico e outros. A insônia não é considerada doença, mas conseqüência de algum problema ou enfermidade mais grave. As causas são por fatores emocionais (psicológicos), orgânicos (físicos) ou ambos. O estresse contínuo, tais como problemas conjugais, enfermidade crônica ou inesperada de algum familiar ou ambiente de trabalho pouco satisfatório podem contribuir para o surgimento da insônia. As pessoas que sofrem de insônia devido ao estresse preocupam-se com seu rendimento no dia seguinte. Durante a noite tentam concentrar-se para dormir, mas só conseguem pensar mais ainda nos seus problemas. Transtornos psicológicos como ansiedade, depressão, esquizofrenia e outros podem provocar insônia. Os mais comuns são a ansiedade, que provoca dificuldade para iniciar o sono, e a depressão, situação em que as pessoas acordam mais cedo do que o esperado. O estilo de vida, como por exemplo o uso de estimulante (café e coca-cola, por exemplo) antes de dormir pode provocar despertares durante a noite. A nicotina do cigarro é também um estimulante e os fumantes demoram mais a iniciar o sono. Alguns medicamentos, incluindo os para baixar peso, asma e resfriados, podem interferir no sono. Drogas mais pesadas, tais como cocaína, anfetaminas, entre outras, também interferem no sono. O Uso do álcool pode provocar despertares durante a noite, mesmo que em pouca quantidade para ajudar a iniciar o sono. Horários de trabalho irregulares, cujas pessoas que não mantém um horário regular, que trabalham à noite e não dormem nos finais de semana, podem apresentar problemas de insônia. Fatores ambientais também podem prejudicar o sono mesmo que uma pessoa não perceba e não acorde, tais como o ruído de aviões, o tráfego, a TV e muitos outros sons afetam a qualidade do sono. De igual maneira, a luz costuma produzir o mesmo efeito, já que incomoda os olhos mesmo quando estão fechados. Enfermidades físicas, tais como as dores, pruridos, febres e todo o desconforto provocado por doenças físicas podem causar dificuldades para a pessoa dormir. Problemas de respiração podem provocar interrupções da respiração durante o sono, o que faz com que a pessoa acorde muitas vezes. Normalmente a pessoa não se lembra no dia seguinte, mas são o suficientes para provocar um sono inquieto. A apnéia do sono, provocada por uma obstrução à passagem do ar, devido a um excessivo relaxamento dos músculos respiratórios ou a uma alteração do controle cerebral do processo de respiração, pode provocar pausas respiratórias na pessoa durante o sono e não são percebidas. Geralmente provocam ronco forte durante o sono e sonolência durante o dia. A insônia é diagnosticada e tratada por psicólogos e médicos de várias especialidades, tais como neurologistas, pneumologistas, psiquiatras, otorrinolaringologistas e clínicos gerais, entre outros. O tratamento pode incluir o uso de medicamentos e/ou psicoterapia. Em alguns casos a mudança de alguns hábitos pode melhorar o sono.
Ansiedade e Stress
Vivemos ansiosos por uma série de coisas, na mais humilhante dependência de objetos, conceitos e pessoas, desde o cigarro, a bebida, o automóvel, a TV, o jornal, até a religião, o padre, o pastor, o mentor espiritual, o psicoterapeuta. Agarramos desesperadamente às coisas ditas “indispensáveis”: primeiro sofremos na ânsia de conquistá-las; sofremos, depois, no medo de perdê-las. Há todo um conflito, toda uma batalha em torno delas, porque, dizemos, ajudam a viver, é o nosso incentivo, o nosso estímulo, e, até, a nossa razão de ser. Por isso, não abrimos mão da corrida ansiosa; queremos competir disputar; todo mundo faz assim, queremos fazer também. “Precisamos” correr, desejar isto e aquilo, concorrer, adquirir, comprar, vender, afastar os adversários, pisar neste e naquele. Não admira sejam tão raros nossos momentos de real sossego, paz e tranqüilidade. Nem toda ansiedade é considerada doença mental. Somente quando a ansiedade, a preocupação e os sintomas físicos causam sofrimento intenso ou comprometimento na vida social, no trabalho ou em outras áreas importantes na vida da pessoa que podemos suspeitar de Transtorno Ansioso, uma doença onde a ansiedade que experimentamos está fora do nosso controle. Definimos ansiedade como um sentimento de medo de ser magoado ou perder alguma coisa. Quer o medo seja real ou imaginário, a sensação é a mesma. A ansiedade pode variar de uma leve apreensão que a pessoa sente até o pânico desorganizador. Um sentimento de estar amedrontado, assustado, nervoso, inseguro. Dentro da ansiedade o medo serve para uma importante finalidade, uma alerta para que a gente se defenda contra uma ameaça. O medo nos protege, e ignorá-lo nos põe em perigo. Quando o medo nos avisa de que há perigo está chamando a nossa atenção para uma possível ameaça a nosso bem-estar. Quando você está diante de uma ameaça, quer seja real ou imaginária, seu corpo reage liberando na corrente sangüínea poderosos hormônios estimulantes que fazem o nosso coração bater mais forte e rápido. A maioria dos sintomas físicos da ansiedade – pés frios, suor, dilatação das pupilas e palidez da pele – são causados por esses hormônios. Esses hormônios do stress também fazem nossa mente ficar acelerada e aumentam nossa consciência. Em excesso, eles nos põem constantemente em guarda, excessivamente em alerta e tensos, podendo desencadear sérias conseqüências emocionais. O stress é o resultado do sofrimento do nosso organismo quando estimulado por fatores externos desfavoráveis. Ocorre uma descarga excessiva de adrenalina no nosso corpo e nossos órgãos, principalmente coração e pulmões, ficam muito excitados, como se estivessem preparados para o perigo, ocorrendo descontroles. Quando o perigo passa, o nosso organismo para com a super produção de adrenalina e tudo volta ao normal. Os principais sintomas da ansiedade são: tremores, tensão muscular, suor excessivo, tonturas, desconforto digestivo, medos, irritabilidade, "brancos" na mente, problemas do sono, inquietação, falta de ar, ondas de calor ou frio, diarréia, dores de cabeça e vontade de urinar constantemente. Pelo menos se não todos, alguns dos sintomas estão presentes por um tempo duradouro – até 6 meses ou até 12 meses - e a pessoa tem dificuldade de controlar, causando desconforto e grave prejuízo social, familiar e no trabalho. O Transtorno de Ansiedade é crônico, isto é, dura um longo tempo e acompanha a vida da pessoa e, como conseqüência, provoca sempre queda na qualidade de vida do paciente.A ansiedade requer um longo tratamento que implica numa variedade de recursos terapêuticos, entre eles a psicoterapia e uso de medicamentos. Os pacientes muitas vezes se apresentam inicialmente ao médico clínico geral com queixas clínicas que comumente podem ser confundidas com outras doenças, como problemas cardíacos ou neurológicos. Esses pacientes devem ser seriamente avaliados.


