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MITO OU VERDADE?

 

 

Fazer psicoterapia é muito caro. Quanto vale nossa saúde mental e equilíbrio emocional? Não tem preço. Hoje em dia só não faz psicoterapia quem não quer ou tem medo. O serviço público de saúde disponibiliza psicólogos nos ambulatórios e núcleos de atendimentos. As faculdades de psicologia prestam serviços gratuítos à comunidade em suas clínicas e ambulatórios. Alguns convênios, associações e sindicatos possuem no seu quadro de profissionais psicólogos habilitados para atendimentos em psicoterapia. Mesmo assim ainda há a possibilidade de negociar pessoalmente junto a cada profissinal um valor adequado e acessível às suas necessidades. Portanto dizer que fazer psicoterapia é muito caro é mito!

Psicólogo só trata de louco. De fato o psicólogo atende a pessoas cujas doenças se manifestam popularmente como "loucura", mas estes pacientes representam uns 5% de todos os pacientes, que são de longe muito menos frequentes que os pacientes com transtornos de ansiedade, depressivos e dependência qúimica por exemplo. Não se justifica portanto taxar o psicólogo como o psicoterapeuta de louco a partir da minoria de seus pacientes. Esse tipo de crença popular é extremamente danoso para os demais 95% dos pacientes que precisam desse atendimento e até chegarem ao consultório do psicólogo pela prmeira vez sofreram verdadeiras torturas mentais impostas pelas pessoas ignorantes que ficam dizendo que psicólogo só trata de louco, e seria melhor procurar um neurologista que é médico de nervos. Neste ponto cabe uma observação. A psiquiatria é a especialidade médica adequada quando necessário for uma intervenção médica. Portanto dizer que psicólogo só trata de louco é mito!

Internações são desnecessárias. A percentagem dos pacientes que necessita de internação é pequena mas para esta o recursos da internação não pode faltar. Socialmente fica bonito falar em fechamento dos hospitais psiquiátricos que têm sido pejarativamente tratados como manicômios, como se a doença mental tivesse sido domada pelas próprias medicações que são tão rejeitadas pela mesma sociedade. Os psicofármacos fizeram de fato uma revolução no tratamento e reduziram significativamente as internações, mas não conseguiram resolver todos problemas. Há pacientes psicóticos crônicos que não respondem às medicações e são violentos, pondo em risco a si e seus familiares. Hà pacientes com retardo mental com elevado grau de agressividade. Há casos em particular que uma internação é inevitável. Além disso há também a realidade brasileira da probreza e da miséria. Como uma família pobre, que tem criança, idoso ou portador de alguma deficiência física em casa pode lidar com uma pessoa que não vê problema em procedimentos de risco. As famílias dos doentes mentais nessas cirucunstâncias, se não obtêm apoio estatal ou abandonarão o doente à sua própria sorte, que se tornarão mendigos, ou se desintegrará como família, tal o sofrimento trazido pelo comportamento do paciente psiquiátrico. Nessas famílias os membros saudáveis muitas vezes têm sua vida impedida de seguir num rumo saudável e próspero porque a doença do paciente psiquiátrico consome todos os recursos dessa famíla. Há casos em que não é possível sequer o paciente ter alta porque as condições sociais da família do doente mental não são suficientes nem para si mesmo, menos ainda para amparar o filho doente desssa família. Como pensar em fechar os hospitais psiquiátricos na crua realidade brasileira antes que se forneçam as condições necessárias para tal? Portanto dizer que internações são desnecessárias é infelizmente no momento um mito!

Os remédios viciam e não são necessários. Trata-se de puro preconceito. Há remédios psiquiátricos que apresentam riscos e devem ser acompanhados com cuidado, como acontece em toda a medicina. Porém 90% dos psicofármacos são seguros. Os tranqüilizantes viciam de fato mas ninguém fica preso aos tranquilizantes por causa disso ao contrário do que a maioria pensa, inclusive muito médicos. O termo dependência é um termo pesado, usado para situações graves como o alcoolismo, dependência à cocaína injetável, etc. A dependência induzida pelos tranquilizantes é 100% reversível, basta que a medicação seja retirada gradualmente. A grande confusão que é que quanto a cronicidade (permanência prolongada) dos sintomas que os tranquilizantes tratam como a ansiedade. Os transtornos de ansiedade frequentemente duram décadas ou toda a vida e quando um paciente obtém os benefícios com a eliminação dos sintomas e posteriormente experimentam retirar o tranquilizante e recaem dos sintomas logo são acusados de estarem dependentes quando na verdade houve uma recaída, ou retorno dos sintomas de ansiedade. É muito difícil diferenciar os sintomas da recaída de ansiedade dos sintomas da abstinênica aos tranquilizantes, mas nessas situações a culpa é sempre do remédio, ainda que não seja possível provar. A dependência é única preocupação relevante quanto aos tranquilizantes (remédios de tarja preta). Os antidepressivos apresentam certos perigos. Os do grupo dos tricíclicos podem levar a fatalidade quanto tomados em mega doses, já os inibidores seletivos da recaptação da serotonina não são letais mesmos em mega doses. Crianças não podem tomar psicofármacos é um outro mito. Podem sim, e se beneficiam muito quando precisam deles. No entanto a maioria dos psicofármacos não foi estudada para crianças por isso recomenda-se não usá-la antes que sejam feitos os devidos testes. O fato de uma criança ter precisado de um psicofármaco não significa necessariamente que seja mais grave ou que tenha um futuro menos promissor que outras crianças de sua idade. A combinação entre o tratamento com medicação e a psicoterapia é a forma mais adequada e eficaz no combate aos transtornos emocionais e psicológicos. Portanto dizer que remédios viciam e não são necessários é mito!

Todo deficiente mental é incompetente. A deficiência mental é caracterizada por uma capacidade intelectual (raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar abstratamente, compreender idéias complexas e aprender rapidamente com a experiência) significativamente abaixo da média esperada (QI<70) , acompanhado de limitações no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das áreas de habilidades seguintes: comunicação, auto cuidados, vida doméstica, habilidades sociais interpessoais, uso de recursos comunitários, auto suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. Como a deficiência mental não é estática ela pode melhorar conforme recebe apoios apropriados e criteriosos. Dessa forma a habilidade de um deficiente mental para realizar alguma tarefa de forma satisfatória é relativa ao seu grau de comprometimento e a área de habilidades envolvida em questão, assim como os apoios e treinamentos apropriados. Portanto, dizer que todo deficiente mental é incompetente é mito!

 

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